Um dos primeiros brasileiros a pisar na Antártida morre em SP
- Quarta-Feira, 21 Janeir
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Villela foi referência para o desenvolvimento da ciência e para o debate sobre as mudanças climáticas no BrasilArquivo pessoalUm dos primeiros brasileiros a pisar no continente Antártico em 1961 e um dos pioneiros na divulgação científica no país, o professor Rubens Nadal Junqueira Villela morreu aos 95 anos, na madrugada desta quarta-feira (21), em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada.Referência para o desenvolvimento da ciência e para o debate sobre as mudanças climáticas no Brasil, Villela foi professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) e morava havia anos na capital paulista.Durante a infância, viveu em Franca, no interior de São Paulo, cercado por plantações de café, onde nasceu um sonho improvável para um menino do interior: conhecer a Antártida. O fascínio pelo continente gelado amadureceu ao longo dos anos e se transformou em uma trajetória científica singular.O interesse inicial deu lugar a uma formação técnica e acadêmica sólida. Rubens tornou-se radioamador e estudou meteorologia nos Estados Unidos, área em que passou a atuar profissionalmente. Veja os vídeos que estão em alta no g1Nesse período, acompanhou expedições antárticas por meio de comunicações de rádio, produziu estudos e artigos, colaborou com pesquisadores internacionais e usou a imprensa brasileira como plataforma para defender a importância estratégica e científica da Antártida para o Brasil.Em 1960, após anos de articulação, integrou uma expedição norte-americana a bordo do quebra-gelo Glacier. No ano seguinte, tornou-se o primeiro brasileiro a pisar no Polo Sul geográfico, como relatou em texto autobiográfico sobre a experiência."A expedição do Glacier, no qual estive embarcado de dezembro de 1960 a abril de 1961, foi para mim muito além da realização dos meus sonhos. Exploramos uma região inteiramente desconhecida do continente, a chamada 'costa fantasma' (Costa de Eights), ficamos muitos dias apresados nos gelos, vivemos uma série de aventuras", escreveu.O primeiro emprego de Villela em São Paulo foi conquistado aos 18 anos, como radiotelegrafista em uma agência de notícias. Foi nessa condição que conseguiu embarcar na expedição, inicialmente como representante da imprensa.Já em viagem, recebeu do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) o título de observador científico, o que lhe garantiu o posto de primeiro brasileiro a integrar formalmente um grupo científico em atividade na Antártida.Rubens Nadal Junqueira Villela foi um dos primeiros brasileiros a pisar na AntártidaArquivo pessoalApesar do pioneirismo, Villela costumava destacar como ainda mais relevante sua participação na primeira expedição brasileira ao continente. O meteorologista integrou toda a preparação do navio oceanográfico Prof. Wladimir Besnard, da USP, que partiu de Santos em 1982.Ele foi um dos 12 pesquisadores que, ao lado de 24 tripulantes, desbravaram os mares do Sul e asseguraram uma posição inédita ao Brasil na comunidade científica internacional. Além de conduzir pesquisas meteorológicas, Rubens foi responsável pela segurança da viagem, elaborando previsões do tempo e cartas sinóticas — mapas meteorológicos produzidos a partir de informações recebidas via rádio.Ao longo da carreira, participou de outras cinco expedições à Antártida, consolidando um legado fundamental para a ciência brasileira e para a compreensão do papel estratégico do continente gelado no sistema climático global.Villela integrou toda a preparação do navio oceanográfico Prof. Wladimir Besnard, da USP, que partiu de Santos em 1982.Arquivo pessoal














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